Retenção de talentos e Geração Z: o novo desafio da liderança moderna

A Geração Z, que nasceu entre a metade dos anos 90 e o começo dos anos 2010, está ganhando cada vez mais espaço no mercado de trabalho, trazendo novas visões, valores e exigências que diferem das gerações anteriores. A liderança atual enfrenta um desafio crucial: manter esses talentos, oferecendo não só bons salários, mas entendendo o que realmente os motiva, engaja e os mantém interessados em suas funções. Entender o que a Geração Z valoriza se tornou essencial para que as empresas formem equipes estáveis, inovadoras e dedicadas.

Vários estudos recentes indicam que a esse novo grupo de trabalho não quer ficar em empregos onde não encontram um propósito, oportunidades de crescimento ou flexibilidade. Uma pesquisa (“Talent Management and Generation Z: A Systematic Literature Review through the Lens of Employer Branding”, publicado pela MDPI em 2024) mostra que os jovens da Geração Z valorizam coisas como progressão na carreira, uma boa imagem da empresa como empregadora, transparência, chances reais de aprender sempre e uma conexão entre seus valores pessoais e os da empresa. Outra pesquisa, focada no setor hoteleiro na Holanda, revela que o que mais os motiva é a flexibilidade no trabalho, comunicação aberta, uso eficaz da tecnologia, trabalho em equipe e oportunidades para crescer.

Uma liderança com propósito é fundamental. Um artigo recente (“Talent Retention in Gen Z Workforce: The Role of Purposes Driven Leadership and Career Development Opportunities”, 2025) mostra que líderes que deixam claro um propósito em comum, que conectam a missão da empresa com os valores de cada um e oferecem uma trajetória de carreira consistente são mais admirados pela Geração Z, o que faz com que eles queiram ficar na empresa.

Também foi notado que muitos acham que suas empresas não investem o suficiente no desenvolvimento de seus líderes. Por exemplo, um artigo da Forbes aponta que, mesmo que os executivos digam que formam líderes fortes, 68% dos funcionários da Geração Z não concordam que recebem esse tipo de desenvolvimento.

A mudança frequente de emprego é uma característica marcante dessa geração. No estudo “Factors Motivating Generation Z in the Workplace: Managerial Challenges and Insights” (MDPI, 2024), foi constatado que muitos jovens planejam ficar pouco tempo nas empresas se não encontrarem o que esperam. Cerca de 41% dizem que pretendem ficar entre 1 e 3 anos; outros indicam que ficarão ainda menos tempo se não perceberem desenvolvimento, reconhecimento ou um sentido no que fazem.

Essa rotatividade representa não só um custo financeiro para as empresas (substituição, recrutamento, tempo de adaptação), mas também o risco de perder conhecimento, afetar o moral dos que ficam e causar instabilidade no desempenho da equipe.

Também é muito priorizado a flexibilidade e a harmonia entre o trabalho e a vida fora dele. Eles querem líderes que ofereçam formas de trabalho com liberdade, horários que considerem o que cada um precisa e lugares de trabalho que se encaixem bem em suas prioridades, como o bem-estar mental, o impacto na sociedade e ter um objetivo claro. A pesquisa citada anteriormente com hotéis na Holanda mostra que a Geração Z quer tarefas que façam sentido e apoio de verdade para crescer, e não só ordens ou cobranças sem flexibilidade.

Outra coisa fundamental é receber feedback constante e estar aberto a aprender sempre. A Geração Z não gosta muito de avaliações formais uma vez por ano; eles preferem comunicação direta, feedback frequente, a chance de mudar as metas e aprender no dia a dia. Se não houver feedback ou clareza, eles podem ficar frustrados logo, perder a motivação ou achar que não estão evoluindo. Isso aparece em várias pesquisas que mostram o que os motiva e quais são os desafios da gestão.

Por isso, a liderança de hoje precisa mudar: não basta só dar tarefas ou cobrar resultados; é preciso escutar, juntar os valores, mostrar como cada um pode crescer, criar objetivos claros, incentivar a transparência e dar espaço para que as pessoas decidam por si mesmas. Assim, a Geração Z se sente importante, motivada e parte da equipe, o que faz com que a empresa consiga reter os talentos e ter uma vantagem sobre as outras. Quando as empresas oferecem essas condições, as pessoas saem menos, se dedicam mais, criam coisas novas e a empresa se torna mais forte.

Os líderes que não prestam atenção nessas coisas correm o risco de ver os jovens talentos irem para empresas que combinam mais com seus valores ou que oferecem formas de trabalho que atendem melhor às suas necessidades. Para as empresas que querem ser as melhores, principalmente em um mundo globalizado e com tanta concorrência, investir em uma liderança moderna, com um propósito, crescimento claro e valores em comum é essencial.

Referências:

https://journal.ppipbr.com/index.php/productivity/article/view/741

https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/15332845.2024.2405790

https://www.mdpi.com/2076-3387/14/3/49

https://www.mdpi.com/2076-3387/15/1/29

https://www.researchgate.net/publication/390941794_The_New_Workforce_Retention_Strategies_for_Gen_Z_Engineers_in_a_Digital_Era

https://www.forbes.com/sites/rachelwells/2023/10/13/execs-think-they-develop-strong-leaders-68-of-gen-z-disagrees

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