Pesquisa: inteligência artificial está aumentando sua carga de trabalho? 77% dizem que sim.

Uma análise recente demonstra que a Inteligência Artificial, ao invés de simplificar o trabalho, tem gerado sobrecarga e afetado a eficiência de muitos. Desde sua popularização nos últimos anos, a IA se expandiu para quase todos os setores, prometendo otimização, automatização de tarefas repetitivas e tempo livre para atividades mais estratégicas. No entanto, dados recentes indicam que a realidade dos trabalhadores está distante desse cenário otimista. Estudos globais mostram que, ao invés de facilitar, a IA tem sobrecarregado os profissionais, provocando estresse, exaustão mental e até mesmo queda na produtividade.

Em julho de 2024, uma pesquisa conduzida pelo Upwork Research Institute apontou que 77% dos empregados que usam IA afirmam que a tecnologia aumentou seu volume de trabalho. Além disso, muitos mencionaram que as metas de produtividade estabelecidas pelos líderes da empresa são incertas ou inatingíveis. Os funcionários relatam gastar mais tempo revisando materiais gerados por IA, corrigindo erros ou moderando conteúdo, além de aprender a usar as ferramentas corretamente. Esses aspectos contribuem para a frustração, o cansaço e a impressão de que se exige mais do que o razoável.

Outro dado relevante dessa pesquisa é que uma grande parte dos gestores (96%) acredita que a IA irá melhorar a produtividade da empresa mostrando um descompasso entre as expectativas da alta gerência e a vivência diária dos colaboradores. Para esses funcionários, nem sempre fica claro como alcançar tais resultados esperados, tornando o uso da IA mais penoso do que libertador.

Há também reflexos no bem-estar dos funcionários. Aumento do estresse, sensação de esgotamento, pressão para entregar mais rápido, com menos erros, são relatos comuns entre aqueles que utilizam ferramentas de IA diariamente. É comum que se espere um rápido domínio da tecnologia, que se resolvam falhas na automação ou improvisos, e que se mantenha alta produtividade, mesmo com condições de uso inadequadas, como falta de treinamento, ausência de boas práticas ou sistemas de suporte insuficientes.

A produtividade, curiosamente, se torna uma vítima dupla: muitos funcionários percebem que sua produtividade individual diminuiu devido ao tempo gasto corrigindo ou ajustando os resultados da IA; por outro lado, as empresas obtêm menos retorno do que o esperado com a implementação dessas tecnologias. Isso se deve, em parte, à integração da IA em estruturas ou modelos de trabalho que não foram preparados para isso, sistemas antigos, processos inflexíveis, pouca automação completa e falta de clareza nas métricas de desempenho ligadas à automação.

Vale destacar que nem todos os impactos negativos são imediatos ou visíveis: a sobrecarga se manifesta muitas vezes em desgaste discreto, perda de criatividade ou iniciativa, dificuldade em equilibrar vida pessoal e profissional, menor satisfação no trabalho fatores que, acumulados, causam rotatividade, absenteísmo e queda no engajamento. Sem canais de feedback claros e políticas de uso de IA bem definidas, esse efeito silencioso pode prejudicar a cultura organizacional e levar à perda de talentos que não suportam o peso das expectativas elevadas.

No que diz respeito às alternativas, é crucial modificar a administração e a estrutura da empresa. Isso envolve criar projeções de rendimento que sejam atingíveis, investir em capacitação focada no uso eficaz da IA, renovar os fluxos de trabalho para extinguir entraves provocados pela intervenção manual que persiste, dar assistência pessoal para contornar os defeitos e limitações da IA, e estabelecer indicadores que avaliem não só os resultados numéricos, mas também a qualidade, o conforto e a durabilidade do trabalho. Os gestores devem conversar com seus times para entender como a IA está sendo empregada na prática, identificar onde está gerando perda de tempo ou retrabalho, e ajustar as regras internas. As empresas que conseguirem harmonizar tecnologia, procedimentos e pessoas têm mais chances de aproveitar os verdadeiros benefícios da IA sem impor sacrifícios excessivos aos colaboradores.

Essa situação com altas expectativas, rápida implementação de tecnologia, mas falta de amparo organizacional demonstra que a IA, embora tenha o potencial de transformar, também traz o perigo de se tornar uma nova fonte de estresse. Para as companhias e os profissionais, perceber isso e agir não é uma escolha, mas sim uma necessidade para assegurar que as promessas de produção se convertam em vantagens reais, e que o progresso tecnológico não prejudique a vida e o desempenho daqueles que o utilizam.

Referências

“77% Of Employees Report AI Has Increased Workloads And Hampered Productivity, Study Finds” — Forbes / Upwork Research Institute, julho de 2024. https://www.forbes.com/sites/bryanrobinson/2024/07/23/employees-report-ai-increased-workload/ Forbes 

“Upwork Study Finds Employee Workloads Rising Despite Increased C-Suite Investment in Artificial Intelligence” — Upwork, GlobeNewswire, julho de 2024. https://www.upwork.com/press/releases/upwork-study-finds-employee-workloads-rising-despite-increased-c-suite-investment-in-artificial-intelligence.html Upwork+1 

“AI Adds To The Workload And Stress Of Employees, Report Says” — Forbes, Edward Segal, 2024. https://www.forbes.com/sites/edwardsegal/2024/07/23/ai-adds-to-the-workload-and-stress-of-employees-report-says/ Forbes 

“AI at work: Will it contribute to employee burnout?” — BBC News. https://www.bbc.com/news/articles/c93pz1dz2kxo BBC+1

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