Perdendo a Paixão pelo Trabalho: Como Posso Voltar a Gostar do que Faço?

O desânimo no trabalho é provavelmente mais comum do que você imagina. Uma pesquisa recente da Gallup descobriu que mais de 8 em cada 10 trabalhadores em todo o mundo relatam sentir pelo menos algum grau de desengajamento no trabalho. Esse sentimento pode ter muitas causas: trabalho repetitivo, falta de reconhecimento, carga de trabalho pesada – ou talvez o funcionário perceba uma lacuna entre o que ele valoriza e honra e o que a empresa representa. O problema é que, quando você permanece nesse estado por muito tempo, pode começar a experimentar menor produtividade e frustração crônica, e em circunstâncias mais extremas, burnout. Mas então, como voltar a gostar do que você faz quando o mundo todo parece sem sentido?

Um dos passos iniciais é ver de onde você está se desanimando. Em suas pesquisas, a psicóloga organizacional Amy Wrzesniewski, da Universidade de Yale, descobriu que trabalhadores que encontram maneiras de tornar seus trabalhos significativos – mesmo que os trabalhos pareçam mundanos – relatam maior satisfação no trabalho. Ou seja, em vez de deixar que a motivação seja ditada apenas por motivadores externos, como reconhecimento e avanço, você pode gerá-los internamente mudando a forma como pensa sobre seu trabalho. Se, por exemplo, você trabalha em um call center e está se sentindo para baixo, lembre-se do bem que está fazendo, mesmo que em pequena escala, e de como está ajudando a melhorar a vida de pelo menos alguns clientes. Essa mudança de foco pode ser transformadora.

Outra consideração importante é a independência. De fato, um estudo no Journal of Organizational Behavior descobriu que profissionais que têm alguma autonomia em como realizam seu trabalho – desde a gestão do tempo até o método de ação e o que devem trabalhar – relatam níveis mais altos de satisfação. Se você está desanimado, diga ao seu chefe que gostaria de tentar algo diferente, seja adicionando algo à sua lista de tarefas que realmente lhe interessa, ou ajustando sua programação diária para ter tempo de apreciar coisas que importam para você. Quase sempre, pequenas mudanças na maneira como você aborda as coisas podem criar nova energia.

Além disso, a análise deve se concentrar em descobrir as razões do desânimo devido à estagnação. A teoria da autodeterminação (SDT), criada pelos psicólogos Edward Deci e Richard Ryan, propõe que a motivação humana é impulsionada por três necessidades psicológicas fundamentais: autonomia, competência e relacionamento. Se você não está se sentindo desafiado ou engajado no processo de aprendizado, é natural que o desânimo se instale. Se esse for o caso, você pode reacender o entusiasmo fazendo cursos ou mentorias (ou até mesmo trabalhos paralelos) que você procura dentro ou fora da empresa.

O ambiente de trabalho também é crucial. Funcionários e colegas da Universidade de Warwick descobriram que aqueles que mantêm boas relações no local de trabalho são muito mais felizes e responsivos. Se você realmente odeia a corrida dos ratos e encontra pouco significado na maioria dos trabalhos, então eu diria para investir pesado nessas conexões – sejam elas atividades de formação de equipe com colegas, ter um amigo para trocar ideias ou até mesmo iniciar um grupo de encontro de decrescimento onde você pode discutir as maneiras como seu trabalho impacta negativamente as pessoas. Um forte apoio social pode ser um bom remédio nesses momentos de desmotivação.

Mas, em outros casos, sentir-se desmoralizado pode ser um sinal de que algo maior precisa mudar. Se você já tentou mudar sua programação, encontrar desafios alternativos e tentar construir melhores relações de trabalho, e ainda sente que está no lugar errado, talvez seja hora de pensar sobre onde você quer que sua carreira esteja. Segundo a coach de carreira Herminia Ibarra, autora de Working Identity, muitas vezes precisamos experimentar – pode ser em pequena escala – para entender o que nos inspira. Isso pode incluir um projeto voluntário, um curso em outra área ou até mesmo uma transição gradual de carreira.

Por último, mas não menos importante, não subestime a força do autocuidado. O desânimo específico do trabalho não poderia ter ajudado a estar fisicamente cansado, sem dormir o suficiente e, provavelmente, não se divertindo com meus hobbies e interesses. Um estudo da Harvard Business Review descobriu que ter atividades agradáveis fora do trabalho – seja esforço físico, um empreendimento artístico ou passar tempo com a família – leva a uma maior resiliência emocional e à capacidade de enfrentar melhor os desafios profissionais com mais energia.

Reconectar-se com o que você está fazendo pode ser um processo, não um “milagre”, e pode levar tempo e alguma experimentação. A chave é não deixar para trás os sinais de desânimo e intervir antes que se torne um problema maior.

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