Equipes focadas em aprendizado ou performance têm resultados mais consistentes

Em ambientes corporativos de alta pressão, é comum dar mais peso ao desempenho: resultados, entregas, produtividade e eficiência. Contudo, a pesquisa em gestão e estudos sobre o comportamento de grupos mostram que dar atenção também ao aprendizado — ou melhor, equilibrar aprendizado e desempenho — geralmente leva a resultados mais consistentes, adaptáveis e inovadores. Aqui, o aprendizado quer dizer não só aprimorar habilidades técnicas, mas estimular adaptação, reflexão, experimentação, feedback, encarar erros como oportunidade de aprimoramento, junção de saberes e cultura de melhoria contínua.

Um dos exemplos mais claros vem do estudo “The Impact of Team Learning Climate on Innovation Performance – Mediating role of knowledge integration capability” (Li, Li, Li, Liu & Deng, 2023), que analisou 184 participantes de equipes e descobriu que um ambiente de aprendizado em equipe impacta positivamente a capacidade de juntar conhecimentos, o que, por sua vez, ajuda a ter melhor desempenho em inovação. Isso mostra que quando as equipes têm um ambiente que apoia o aprendizado, trocas, abertura, apoio emocional e técnico, elas conseguem criar ideias novas, reagir melhor a mudanças e manter competitividade.

Outro estudo importante é o “Management team learning orientation and business unit performance” (Bunderson & Sutcliffe, 2003), que revelou que equipes de gestão com foco em aprendizado tendem a ter melhores resultados de negócio, principalmente quando enfrentam desafios ou precisam mudar sua forma de atuar. Atenção: esse estudo também adverte que o excesso de foco em aprendizado, sem gerar resultados no curto prazo, pode levar à queda de desempenho quando já se alcançou um nível alto. Ou seja: priorizar o aprendizado não significa ignorar metas e eficiência.

A relação entre desempenho e aprendizado também foi analisada no estudo “When goal orientations collide: effects of learning and performance orientation on team adaptability in response to workload imbalance”. Esse estudo mostra que equipes que priorizam o aprendizado e, ao mesmo tempo, buscam atingir metas de desempenho conseguem se adaptar melhor a variações repentinas na carga de trabalho, desde que tenham recursos (tempo, estabilidade, apoio) para lidar com essas mudanças.

Além disso, há indícios de que o clima organizacional, atuando como antecedente, ou seja, como condição básica, influencia fortemente a eficácia de equipes por meio de comportamentos de aprendizado. Uma tese portuguesa (“Organizational climate and team effectiveness: The mediating role of team learning behavior”, Maia et al., 2017) encontrou relações positivas entre um clima organizacional favorável, comportamentos de aprendizado em equipe e critérios de eficácia como desempenho, melhoria de processos, viabilidade da equipe e experiência do grupo.

Contudo, é importante notar que existem sutilezas a serem consideradas: grupos com objetivos de aprendizado muito direcionados ou com atividades de grande dificuldade podem ter seu rendimento afetado de maneira desfavorável se a gestão for ineficaz ou se a atenção ao aprendizado for excessiva, sem limites de tempo ou resultados concretos. Como ilustração, na pesquisa “Definição de metas em equipes: O impacto das metas de aprendizado e desempenho no processo e desempenho” (2013), times com objetivos precisos de aprendizado apresentaram um desempenho pior do que equipes com objetivos de desempenho específicos ou objetivos de aprendizado amplos, especialmente quando a tarefa era complexa; a justificativa encontrada relaciona-se com problemas de organização.

Dessa forma, o que emerge das pesquisas é que equipes que deixam claro o que buscam em termos de aprendizado e o que almejam em termos de performance e que estabelecem um cenário que fomente o aprendizado constante, o feedback, e a partilha de conhecimentos costumam demonstrar um crescimento duradouro, capacidade de inovação, adaptação mais ágil e um desempenho estável ao longo do tempo. Equipes que se concentram somente em performance podem até obter sucesso a curto prazo, mas ficam suscetíveis a crises, transformações no mercado, diminuição do envolvimento ou cansaço dos membros. Equipes que se dedicam apenas ao aprendizado, sem avaliações ou prazos, podem se tornar acomodadas ou pouco eficazes. A harmonia clara e consciente entre aprendizado e performance parece ser a solução.

Em síntese, dar importância ao aprendizado não significa abandonar a performance significa fortalecê-la. Desenvolver uma cultura de aprendizado contribui para uma equipe mais resistente, inventiva e capaz de manter resultados firmes, mesmo em ambientes instáveis ou sob pressão. Para liderar de forma eficaz, vale a pena definir expectativas nítidas, incentivar o feedback constante, oferecer espaço para a experimentação e o aprendizado com os erros, criar indicadores de desempenho, mas também oportunidades de crescimento, aprendizado em conjunto e reflexão.

Referências:

Li, M.-S., Li, J., Li, J.-M., Liu, Z.-W., Deng, X.-T. (2023). The Impact of Team Learning Climate on Innovation Performance – Mediating role of knowledge integration capability. Frontiers in Psychology, 13. [https://doi.org/10.3389/fpsyg.2022.1104073] PMC+1 

Bunderson, J. S., & Sutcliffe, K. M. (2003). Management team learning orientation and business unit performance. Journal of Applied Psychology, 88(3), 552-560. WashU Medicine Research Profiles+1 

van Knippenberg, D., & Hogg, M. A. (Corresponding authors involved in “When goal orientations collide: effects of learning and performance orientation on team adaptability…”) – Estudo que mostra adaptabilidade superior e impacto de recursos. PubMed 

Maia, P. F. A., Rebelo, T. M. M. S. D., “Organizational climate and team effectiveness: The mediating role of team learning behavior.” Dissertação de mestrado, Universidade de Coimbra, 2017. Estudo Geral 

Locke, E. A., & Latham, G. P. (Objetos de estudos mais amplos relacionados a metas de aprendizado vs performance) – referenciado em “Goal setting in teams: The impact of learning and performance goals on process and performance.” ScienceDirect

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