A maneira como lideramos nas empresas, assim como acontece na própria natureza, funciona em ciclos, cada etapa na vida de um time, de um projeto ou de uma empresa pede um tipo diferente de energia, um foco específico e um jeito de fazer as coisas. Quem entende esse ritmo consegue sair da mesmice e enxergar o futuro.
Ao longo dos anos, várias pesquisas sobre como as pessoas se comportam nas empresas mostram que aquelas que superam os problemas com mais facilidade não são as que fogem das mudanças, mas as que aprendem a ver essas mudanças como algo natural e necessário para crescer. É daí que surge a ideia de comparar a liderança com as quatro estações do ano: plantio, crescimento, colheita e renovação, um ciclo de aprendizado, de se adaptar e de ter um objetivo claro que nunca para.
Na época do plantio, o líder age como um jardineiro, preparando o terreno, é hora de mostrar qual é a visão da empresa, deixar claro o propósito e fazer com que a equipe confie no líder e o importante é fazer com que todos se sintam parte do projeto e entendam o que se busca, sem pressa para ver os resultados. Os líderes que mandam bem nessa fase dedicam tempo para contratar as pessoas certas, desenvolver seus talentos e criar um clima onde todos se sintam seguros para dar suas opiniões. Uma pesquisa da Harvard Business Review mostrou que equipes que confiam em seus líderes rendem 50% mais e se dedicam três vezes mais para alcançar os objetivos da empresa.
A fase de crescimento chega quando o que foi planejado começa a dar certo, dar mais liberdade para as pessoas fazerem as coisas do jeito delas, experimentar coisas novas e mudar o rumo quando for preciso. Nessa hora, o líder precisa saber equilibrar o quanto ele manda e o quanto ele deixa as pessoas trabalharem sozinhas, sem ficar controlando cada passo, então é uma fase que exige saber ouvir, acompanhar de perto e ter coragem para decidir rápido. Uma pesquisa do Gallup mostrou que líderes que sabem delegar tarefas de forma inteligente conseguem aumentar o desempenho das equipes em até 33%.
Na época da colheita, os resultados aparecem e pode pintar aquela sensação de que está tudo resolvido, comemorar as conquistas, mas sem esquecer qual é o objetivo maior. O líder deve reconhecer o esforço de cada um, reforçar os valores da empresa e garantir que tudo o que foi aprendido seja guardado para o futuro, no entanto, também é hora de começar a perceber se as pessoas estão cansadas e onde dá para melhorar. Os líderes que entendem essa fase enxergam além dos números: eles percebem o quanto as pessoas se dedicam e se importam, e que isso é fundamental para o sucesso.
Por último, a época da renovação talvez seja a mais difícil, mas também a mais importante, toda empresa, mais cedo ou mais tarde, passa por momentos de estagnação, mudanças no mercado ou precisa se reinventar. Nessa fase, o líder tem que inspirar coragem e curiosidade, incentivando a equipe a abandonar o que não funciona mais e a se abrir para o novo, é um tempo de pensar e mudar a estratégia, pesquisas da McKinsey & Company mostram que empresas que passam por processos de renovação bem estruturados têm 47% mais chances de crescer de forma constante a longo prazo.
Entender e respeitar essas quatro estações não significa seguir um manual de instruções, mas sim pensar na liderança como um ciclo, pois o bom líder sabe quando é hora de plantar ideias, quando é hora de expandir, quando é hora de colher os resultados e, acima de tudo, quando é hora de começar tudo de novo e, no mundo dos negócios de hoje, que muda tão rápido, os líderes que dominam esse ciclo são os que conseguem manter o equilíbrio entre fazer um bom trabalho e ter um propósito, sem esquecer que as pessoas são o que fazem a empresa crescer, em todas as estações.
Referências:
- Harvard Business Review – The Most Common Type of Incompetent Leader
- Gallup – State of the American Manager Report
- McKinsey & Company – The Four Steps to Transformational Leadership
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