O segredo das empresas tradicionais que voltaram a crescer: como reinventar sem perder a essência

Durante muito tempo, o senso comum dizia que só as startups tinham o poder de transformar o mundo dos negócios, onde a velocidade com que essas empresas se movem, a cultura totalmente focada no digital e a vontade de testar coisas novas pareciam impossíveis de copiar em empresas mais antigas, com suas estruturas hierárquicas e processos que demoram uma eternidade.

Só que essa história está mudando, várias empresas grandes e já estabelecidas estão mostrando que é possível, sim, inovar sem jogar fora tudo o que construíram. Bancos que existem há mais de um século, empresas familiares e lojas que fazem parte da história do comércio estão conseguindo fazer o que parecia impossível.

Um estudo do Boston Consulting Group (BCG) mostrou que 57% das empresas com mais de 50 anos que investiram em inovação sustentada, ou seja, que encontraram um jeito de equilibrar o que já faziam com as novidades do mercado, cresceram mais do que a média nos últimos três anos. Isso mostra que o segredo não é esquecer o passado, mas sim entender como ele se encaixa no presente. As empresas que estão dando certo não jogam fora o que as fez chegar onde estão, usam a experiência, a reputação e os relacionamentos de longa data como base para construir o futuro.

Um bom exemplo disso é a Ford, a empresa que é uma das mais tradicionais do mundo, passou por uma grande transformação ao investir pesado em carros elétricos e modelos de trabalho que misturam o presencial com o online. Eles juntaram a eficiência das fábricas antigas com a agilidade dos centros de inovação e o resultado foi um aumento de mais de 25% nas vendas de produtos mais sustentáveis entre 2022 e 2024. A Nestlé fez algo parecido e continuou sendo líder no mercado ao investir em produtos personalizados e alimentos feitos à base de plantas, sem abrir mão da qualidade e da confiança que construiu ao longo de mais de 100 anos.

No Brasil, a Marisa, fundada em 1948, exemplifica a capacidade de reinvenção no varejo brasileiro ao superar crises financeiras pós-pandemia através de transformação digital e experiência do cliente. A rede implementou aplicativo de compras, programa de fidelidade e inteligência artificial para personalização, enquanto reformulou suas lojas físicas com design “instagramável” que atrai consumidores nas redes sociais. A estratégia omnichannel incluiu dark stores dedicadas ao e-commerce, ampliando a eficiência logística e a presença digital. Além disso, a empresa diversificou seu mix de produtos com roupas infantis e acessórios, buscando novos nichos de mercado. Essa transformação demonstra resiliência notável ao enfrentar gigantes do fast fashion digital como Shein, provando que redes tradicionais podem se adaptar e competir na era digital, mas ainda preservando a sua identidade.

Essas empresas entenderam que para inovar não é preciso esquecer as origens, mas sim criar uma ligação entre o passado e o futuro. A Harvard Business Review publicou um estudo que mostra que as empresas mais antigas que estão crescendo hoje são aquelas que conseguem juntar a estabilidade dos negócios tradicionais com a curiosidade e a capacidade de se adaptar das startups, o segredo, segundo o estudo, é criar laboratórios de inovação dentro da empresa e ter líderes que aceitam que os erros aconteçam e que é preciso testar coisas novas.

Outro ponto importante para o sucesso das empresas tradicionais é investir na cultura da empresa, como podemos ver em uma pesquisa da Deloitte, que mostrou que 72% dos executivos de grandes empresas acham que o maior problema para a inovação não é a tecnologia, mas sim a forma de pensar das pessoas. As empresas que deram certo nas últimas décadas aprenderam a valorizar o que elas têm de mais importante: o conhecimento acumulado ao longo do tempo, os relacionamentos de confiança e o objetivo em comum. Essa base é o que dá sentido à inovação e garante que ela não seja só uma busca por coisas da moda, mas sim uma forma de continuar a história da empresa.

Na prática, as empresas tradicionais que estão se reinventando estão investindo em três coisas: digitalização, liderança colaborativa e criação conjunta com o cliente, a digitalização não é mais um projeto isolado, mas sim algo que faz parte de todas as áreas da empresa. A liderança se torna mais horizontal, incentivando a conversa entre pessoas de diferentes gerações e áreas e os clientes, que antes só recebiam os produtos, passam a ajudar a criar soluções, dando ideias para produtos e experiências mais relevantes.

O que podemos aprender com tudo isso é que a inovação de verdade acontece quando o velho e o novo se juntam, as empresas que não têm medo de olhar para o passado encontram nele uma forma de se destacar. Afinal, enquanto muitas startups ainda estão tentando construir uma reputação e encontrar um propósito, as empresas mais antigas já têm tudo isso e agora descobriram como usar isso para crescer ainda mais.

No final das contas, o segredo das empresas tradicionais que voltaram a crescer pode estar em uma lição simples: para ser inovador, não é preciso ser novo, mas sim estar disposto a mudar sem perder a essência.

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